O passado lhes condena

Dois lançamentos deste começo de 2009 me levaram para o passado, o que não é necessariamente bom.

Primeiro o disco do Prodigy, Invaders Must Die. Voltei para o meio dos anos 90, retrilhando os caminhos que me fizeram gostar tanto dessa banda. A atitude punk, a energia roqueira enquandrando com testosterona a linhagem que vinha do ‘ardocore inglês. O propblema é que estamos no fim dos anos 2000. Os três primeiros discos do Prodigy tocaram até furar em casa, e The Fat of the Land é daqueles álbuns cuja a importância vai além da música, ele indica caminhos, subverte os entendimentos pré-estabelecidos. Por isso a banda foi tão grande nos anos 90. Penso, inclusive, que todo esse fogo a consumiu para sempre.

Invaders Must Die, embora traga uma ou outra surpresa, como um fio da tosqueira do grime invadindo certas músicas, me parece, depois de algumas audições, monolítico. Um tótem em homenagem aos aureos tempos, um disco de quem não dialoga mais com o novo, de quem ousa pouco e vive do passado. Fico triste de escrever isso do Prodigy, pois o que mais me fazia gostar da banda era a evolução em cada disco (até 97), o ouvido na rua, a antena sintonizada nos canais certos. Disso tudo sobrou só a nostalgia. O que diz muito da própria cultura eletrônica de massa hoje. Tenho certeza de que Invaders Must Die vai fazer sucesso. É mais do mesmo, confortável – e é disso que o povo gosta. O Prodigy virou o equivalente eletrônico do rock de arena, reacionário e conformista.

O segundo disco que me levou pro passado é mais complexo.  Sinéad O’Connor  chega às lojas agora com o duplo Theology. Em primeiro lugar, a temática metafísica das canções é totalmente antenda aos nossos tempos. Basta pensar em gente que repensa a relação com Deus e a religião e faz ótimos discos, como Current 93 e Sufjan Stevens. Na primeira sessão, gravada em Dublin, a beleza das canções salta, principalmente por sua simplicidade, que remete ao folk irlandês do começo do século passado. Basta a voz de Sinéad e o violão de Steve Cooney. Em uma ou outra, a cantora arrisca tocar violão também. Depois vem o disco das sessões gravadas em Londres: as mesmas músicas recebem arranjos mais supostamente mais elaborados, viola, cello, harpa, metais, além de guitarra, baixo, bateria e percussão. As canções somem no pastiche. Volta àquela Sinéad O’Connor do começo dos anos 90, perdida em termos de sonoridade depois da estréia forte com The Lion and the Cobra. O resultado é desanimador. Dá sono.

Gosto muito de coisas antigas, mas não da imobilidade. O que me interessa nos artistas é o risco, abrir novos caminhos, a reinvenção de sua arte. E há maneiras de fazer isso sem perder a identidade. Um bom exemplo vem do The Fall, que sempre lança discos instigantes, como o Imperial Wax Solvent, do ano passado. Chega de pensar no passado. Que venha 2009…

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