Nasi x Pepe Escobar, a real

Nasi
foto: Marcos Vilas Boas/Trip

Nasi, o ex-vocalista do Ira! que volta agora à ativa com uma nova banda, será o entrevistado de Páginas Negras da edição de abril da Trip. Eu e a Nina Lemos fizemos a entrevista. Sempre que fazemos uma entrevista desse tamanho, ficam algumas histórias ótimas de fora. Aqui vai uma delas. A entrevistona mesmo, com tudo sobre a interdição judicial pedida por seu pai, os bastidores do fim do Ira!, os amores e os excessos de Nasi, estarão, em breve, nas melhores bancas de revista….

Trip – É muito bem documentada a sua fama de brigão, não? Tem brigas históricas. Tem uma que eu acho…
Nasi –
A do Pepe Escobar? Eu nunca bati!

Trip – Não acaba com esse mito da nossa juventude!
Nasi –
Pois é, a versão é mais importante que o fato. Eu falo isso pra todo mundo. O Boris Casoy, que trabalhava na Folha, me pegou no canto e falou “Rapaz, da próxima vez faz assim ó [dá um soco no ar]”. Isso foi uma puta insensatez. Na verdade, eu só me revoltei…

Trip – Então conta como foi na real?
Nasi –
O Guilherme [Isnard, do Zero] escreveu uma carta pro Pepe Escobar dizendo “Ah, porque existe essa máfia no rock paulista, e o líder é o Nasi”. Máfia, Nasi e tudo. A gente estava fazendo shows no Val Improviso, uma boate de travestis, para 100 pessoas. E essa era a máfia.

Trip – Daí você leu o texto do Pepe e saiu com o Crânio [segurança do Madame Satã, na época]?
Nasi –
A gente estava lá, fazendo um show e eu estava discotecando. Aí chega, umas 3, 4 da manhã, a Folha de São Paulo, com a critica do Pepe, aproveitando a carta do Guilherme, falando da máfia do rock e falando que a gente estava fazendo um negócio num pulgueiro. Hoje em dia, você olha e fala assim: “Que legal”, ainda tá rendendo isso. Eu, naquela época, doidinho, pego um negócio desses viro louco. Parecia um líder sindical. Eu peguei o Crânio e falei: “Vamos pegar o cara”. Sabe como é que eu fiz? Isso é o mais diabólico. Eu tinha o telefone do Fernando Naporano. O Miguel Barella não quis me dar o telefone do Pepe, disse que tinha perdido… Aí liguei pro Naporano, do telefone público. Bom, eram 4 horas da manhã, atendeu acho que a mãe dele e eu falei: “Chama o Naporano, por favor”. Ela falou: “Olha, ele não está”. Eu disse “Aqui é da polícia, seu filho está enrascado com um tal de Pepe Escobar, minha senhora. Se você quer ajudar seu filho, cadê o telefone do Pepe Escobar?” Ela deu tudo. O cara morava num flat na alameda Itu. Aí subi eu e o Crânio. Nós passamos em casa, tomamos um monte de bola de afetamina. Nós tentamos até entrar no flat do cara, mas não conseguimos.

Trip – Aí vocês foram até a Folha?
Nasi
– A gente tinha uma produtora que chamava Mundo Livre, era uma coperativa com todas as bandas, uma coisa meio socialista. Juntamos todas as bandas, eram umas 10, uns 50 caras. Aí a gente foi e fez aquele burburinho. Chegou o pessoal da Folha e falou: “Olha, uma comissão vai subir”. Aí foram as pessoas mais ponderadas e eu, né? O Miguel Barella falou um texto “olha, nós estamos aqui para desautorizar o Pepe….” como que desautoriza o repórter? O Miguel fez um discurso todo assim. Aí o Pepe chegou pra mim e falou: “Você é um terrorista com essa camiseta aí do Clash”. Aí houve esse negocio, eu simplesmente avancei, o pessoal segurou, a gente foi pra baixo.